Elogio ou Encorajamento: qual a diferença?

Atualizado: 11 de jun. de 2021


Você deve estar se perguntando... ué, mas não é tudo a mesma coisa? Não... não é.


É muito comum a gente se confundir entre elogiar e encorajar nossos filhos, por não saber a diferença e os efeitos de cada uma das práticas.


Em grandes linhas, o elogio é a atitude de você enaltecer qualidades ou comportamentos positivos e esperados da criança.


Comparativamente, o elogio está ligado a uma ação pontual que valoriza a atuação da criança em um determinado momento, mas que tem um efeito de curta duração. O elogio fala muito mais sobre o seu sentimento e a sua opinião, do que, de fato, sobre a importância do que a criança fez. O elogio pode sim levar a criança a se comportar melhor ou adotar uma determinada atitude, mas essa mudança, como eu disse, tem prazo de validade. Além disso minha gente, o elogio faz com que criança foque na valorização e se torne bajuladora, sempre em busca da aprovação dos outros.


A longo prazo, um outro efeito do elogio é gerar dependência da glorificação e do atingimento da perfeição pela criança, onde não cabe o erro.


E deixa eu te contar um segredo, é equívoco pensar que o elogio cria autoestima na criança. Mas, isso não é verdade, autoestima não pode ser dada ou recebida, mas sim desenvolvida pela criança.


OK! Mas e o ENCORAJAMENTO como funciona? Por meio do senso de capacidade e da percepção das habilidades das crianças. O encorajamento valoriza as ações realizadas por elas e atinge, DIRETAMENTE, a tomada de decisão e a autonomia. Está totalmente ligado à ATITUDE e ao EMPENHO da criança com caráter DURADOURO e PERMANENTE.

A longo prazo, o encorajamento oferece oportunidade para as crianças desenvolverem, por exemplo, a autorresponsabilidade e a autocoanfiança.


É claro que isso não acontece, gente, de uma hora para outra e cabe aos pais ajudarem seus filhos nessa construção. Quando os pais encorajam seus filhos, eles estão sendo RESPEITOSOS, acreditando nos seus potenciais e validando os resultados alcançados.


Uma maneira de você entender melhor o encorajamento é refletir sobre o seguinte:


  • Estou inspirando meu filho ou gerando dependência dele sobre a minha opinião e a dos outros?

  • Estou sendo respeitoso com meu filho ou paternalista?

  • Ou ainda, estou fazendo um comentário sobre o olhar do meu filho ou sobre o meu ponto de vista?

E sabe uma pergunta que super funciona? E a gente se perguntar pra si mesmo...

Eu faria esse tipo de comentário para um amigo?

Vamos a alguns exemplos de discurso que você poderia adotar, considerando o elogio e o encorajamento pra demonstrar o que estou dizendo:

Exemplo de um ELOGIO

“Nossa! ADOREI o seu vestido! Ficou lindo!” (aqui, você expressa a sua opinião sobre o vestido, fala somente que gostou)

Como poderia ser dito usando o ENCORAJAMENTO?

“Nossa! Você mandou muito bem na escolha do seu vestido. Ficou lindo! Adorei! (nesta segunda abordagem, você fala sobre a ação de ESCOLHA da criança, sobre a tomada de decisão e não deixa de dizer que gostou)

Outro exemplo de ELOGIO

“Ah filha!! Mamãe tá tão orgulhosa de você! Você tirou nota 10!” (aqui você expressa o seu sentimento de orgulho em relação a nota)

Se você usasse o ENCORAJAMENTO, como poderia ser?

“Ah filha! Poxa! Você estudou pra caramba! Pode se orgulhar da nota 10, hein! Parabéns! Eu também estou muito feliz!” (aqui, fala que está feliz, dá os parabéns, mas sobretudo fala sobre a AÇÃO DA CRIANÇA EM SE DEDICAR, sobre o EMPENHO dela em estudar e o RESULTADO ALCANÇADO)

Perceberam a diferença? O encorajamento reforça o comportamento positivo que gera uma ação duradoura com resultado no futuro.

Já o elogio, gente, é igual a uma nuvem, passageiro e cria uma relação de recompensa, de monetização e necessidade de aceitação por parte da criança.


Eu recomendo que você adote a prática de encorajar e valorizar as atitudes dos seus filhos de forma positiva.


O objetivo é ENCORAJAR a criança, transmitindo confiança nela e reconhecendo seus feitos! Embora o elogio funcione temporariamente e motive o bom comportamento, a longo prazo, não produz resultados efetivos e sólidos.


O elogio não colabora e não inspira seu filho a decidir sobre ele mesmo.


O encorajamento, por sua vez, produz um efeito de autoconfiança, de autonomia, de responsabilidade e de capacidade resolutiva. Permite que as crianças percebam o quanto são capazes, além de valorizar o esforço delas, em vez de focar na perfeição ou em agradar os outros!


E você, já se sentiu encorajado hoje? Se não, este é o meu objetivo.


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Não escolhemos a forma como fomos educados, mas podemos decidir como vamos educar nossos filhos. E aí, qual a sua escolha?


Obrigada pela leitura. Um abraço e até o próximo artigo!

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